terça-feira, 26 de outubro de 2010

Palavras... amor com palavras!

Soneto 23



Como no palco o ator que é imperfeito


Faz mal o seu papel só por temor,


Ou quem, por ter repleto de ódio o peito


Vê o coração quebrar-se num tremor,



Em mim, por timidez, fica omitido


O rito mais solene da paixão;


E o meu amor eu vejo enfraquecido,


Vergado pela própria dimensão.



Seja meu livro então minha eloqüência,


Arauto mudo do que diz meu peito,


Que implora amor e busca recompensa



Mais que a língua que mais o tenha feito.


Saiba ler o que escreve o amor calado:


Ouvir com os olhos é do amor o fado.


William Shakespeare

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