quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Desatando nós!

Se eu tivesse que escolher uma palavra – apenas uma – para ser item
obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um
verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas)
conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com
mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos,
reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.
Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão
falada qualidade de vida que queremos – e merecemos – ter.

Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da
mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos
sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos
deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão
bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema
com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora
para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as
histórias que já nos contamos mil vezes – isso, sim, faz bem para a
pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe
o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele
nem uma vez (desligue o
celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade
consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário
duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e
silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes
por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia – não importa – e a
ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir,
contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os
próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é
preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.
Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher
mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do
nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste
atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela
amiga engraçada – faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de
nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser
indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao
exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai
fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia
(quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard
Gere... sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E
recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa,
nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra:
use-o para reinventar a si mesma.

E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a
palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui
fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma
para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que
sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o
desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos
que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais
são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas
são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se
elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa
toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Palavras de uma grande amiga!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Pupilas!


Escolho meus amigos pela pupila

Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.


A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.


Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.


Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.


Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.